Met Gala 2026 e o 'step back' de Chloe Malle
- Luiz Rodrigues

- 4 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 5 de mar.
H á três semanas, a New York Magazine (The Cut) publicou uma entrevista com Anna Wintour e sua sucessora, Chloe Malle. O que se viu foi uma dinâmica clara de poder e submissão: Chloe respondia às perguntas com uma inquietação inocente, como se estivesse sempre a ponto de se revelar uma criadora desejando aquilo que não se pode ter.

No meio da conversa, Anna revelou um dos motivos pelos quais admira e confia em Chloe para o cargo: o fato de ela não ser obcecada por moda. Chloe ama a moda, mas não é refém dela. Por isso, consegue dar um passo atrás e enxergar a situação como um todo. Mas qual seria o problema da obsessão com o assunto mais importante para uma revista de moda?

Acontece que, ao notarmos o tema do Met Gala deste ano, concluímos que é necessário um olhar para além da técnica ou do repertório óbvio. Ao dirigir uma revista centenária — ou ao desejar autoridade real —, é preciso saber quando levar o assunto ao grande público. Ao trazer o rigor artístico para o centro de um evento que há anos se esvaziava em um show de "quem atiça mais as redes", Anna e Chloe criam o ambiente perfeito para retomar o papel da revista como maestro das tendências.
O "passo atrás" de Malle permite que a publicação deixe de ser apenas mais um comentário na multidão digital para se tornar o palco onde debates fundamentais acontecem. Em um mundo onde todos têm muito a dizer, e tendências vem e vão, a verdadeira autoridade pertence a quem sabe ser acessível para além delas.



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