FASHION
John Galliano e a Curiosa Parceria com a Zara
John Galliano irá colaborar com a Zara por dois anos, com um diferencial: reescrever e reinterpretar peças do arquivo da Zara.
MJ Olmos
10 de maio de 2026

John Galliano, designer britânico, foi diretor criativo tanto de sua própria marca quanto de Givenchy e Dior, assim como de Maison Margiela, da qual saiu no final de 2024. Estas marcas são conhecidas por sua haute couture, e John Galliano é um nome associado a uma visão que esteja à altura dessa moda que se diferencia do fast fashion. Como discutido em nossos artigos anteriores sobre a Chanel e sobre estilo pessoal em tempos de consumismo, a parceria de John Galliano com a marca Zara é, no mínimo, curiosa.

A Zara, nos últimos anos, tem investido no reposicionamento da marca, com suas campanhas utilizando técnicas editoriais de alto padrão para a indústria e peças aparentando alta-costura, como visto na coleção assinada por Kate Moss, por exemplo. No entanto, a realidade reportada por consumidores é outra: a qualidade transmitida pelas fotos não é sentida no momento da compra e da vestimenta. As cadeias de produção são variadas, portanto a consistência entre as peças também varia. Isso não surpreende, pois é a essência do fast fashion e o centro das discussões mencionadas.
Para quem tem familiaridade com a discussão que permeia haute couture, sabe que ela sempre é acompanhada pelo debate sobre fast fashion. O funil de criatividade de marcas caras, renomadas, termina na produção em massa, com suas estampas e formas usadas na criação de peças mais baratas, como uma maneira de camadas diferentes da sociedade acessarem essa arte. Já sabemos que há tons de elitismo e exclusividade na moda, não há como negar este debate reciclado nas esferas de redes sociais. A questão está precisamente nessa divisão de alta e baixa costura, haute couture e fast fashion, tendências e clássicos, e a parceria com a Zara ressalta essas dicotomias.

John Galliano irá colaborar com a Zara por dois anos, com um diferencial: reescrever e reinterpretar peças do arquivo da Zara, utilizando, para tanto, os seus conhecimentos de couture e sua autoria. As coleções serão lançadas sazonalmente, começando em setembro de 2026. Essa estratégia é uma forma de elevar a marca perante o fast fashion, em uma tentativa de sofisticação de seus produtos.
Como dito, é uma parceria curiosa, visto a experiência dos usuários com a Zara nos últimos anos e sua utilização de uma produção, ainda, sendo feita por meio de técnicas características de produção em massa e de matérias-primas de baixa qualidade em algumas de suas peças. Esse reposicionamento de marca é, talvez, uma forma de se elevar perante gigantes do fast fashion, como Shein e Temu. Ou talvez continue um fast fashion, porém elevado por nomes da indústria.
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