A atriz Sarah Jessica Parker é conhecida por protagonizar a série Sex and the City e sua continuação And Just Like That…; sua personagem, Carrie, consolidou um dos legados visuais mais influentes da televisão - onde figurino nunca foi ornamento, mas linguagem
A passagem de Sarah Jessica Parker, 60 anos, no Brasil reativou um imaginário fashion que ultrapassa a atriz e toca diretamente sua persona cultural mais emblemática: Carrie Bradshaw. Conhecida por protagonizar a série Sex and the City e sua continuação And Just Like That…, a personagem consolidou um dos legados visuais mais influentes da televisão - onde figurino nunca foi ornamento, mas linguagem.
Alta-costura tropical: teatralidade, movimento e assinatura autoral
No Brasil, Parker pareceu consciente dessa herança simbólica. Seus looks, especialmente os assinados pela estilista brasileira Isabela Capeto para a campanha da Tanqueray “The Power of No” - que celebra o poder dos “nãos” através do “The No’s Dress” - demonstraram que estilo não é tendência, mas construção identitária. O visual escolhido para o Baile da Arara, no RJ, com aplicações em movimento e acabamento artesanal, sintetizou essa ideia: um equilíbrio entre celebração, teatralidade e sofisticação - elementos que dialogam diretamente com o vocabulário estético de Carrie.
A persona performática se manifesta no gesto de vestir: aplicações em movimento e construção dramática transformam o look em espetáculo visual.
Crédito: Campanha Tanqueray / Divulgação
A força imagética dos acessórios também permaneceu central. Sapatos e detalhes funcionaram como protagonistas narrativos, deslocando o foco do look como conjunto para o look como discurso. Essa lógica, típica da personagem, sugere que Parker não apenas veste roupas; ela performa significados.
Minimalismo estratégico: conforto como linguagem de estilo
Durante passeio no Rio de Janeiro, a atriz adotou uma leitura mais minimalista: saias midi, sapatilhas e silhuetas leves revelaram um “comfy” estilizado que confirma maturidade estética sem abrir mão de personalidade. O resultado foi um contraste calculado entre simplicidade estrutural e assinatura visual - marca registrada de quem entende moda como extensão do gesto.
Durante passeio no Rio de Janeiro, a atriz adotou uma leitura mais “comfy”.
Crédito: Agência Brazil News/Divulgação
Carrie Bradshaw e a moda como discurso narrativo
A escolha de Capeto também carrega dimensão simbólica. A figurinista Molly Rogers, responsável pelos figurinos de And Just Like That…, já havia incorporado criações da estilista brasileira após conhecê-la nos Hamptons, estabelecendo uma ponte entre o imaginário fashion da série e a produção da brasileira. Ao repetir essa parceria em território nacional, Parker transforma a visita em gesto curatorial.
Camadas, texturas e cores coexistem como discurso visual: o figurino deixa de ornamentar e passa a narrar identidade.
Crédito: HBO
Mais do que aparições públicas, sua passagem no país reafirma uma tese silenciosa: Carrie Bradshaw não envelheceu - evoluiu. E, com ela, a própria noção de estilo como narrativa contínua.
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Author Bio:
Lucas Lissa is a journalist specialized in culture. He investigates access to artistic production and develops critical reflections on art in exhibitions, cinema, theater, literature, and series.