De evento elitista a plataforma plural e digital, a São Paulo Fashion Week completa 30 anos com uma nova cara; mais humana, urbana e híbrida. Moda, arte e tecnologia se misturam para contar histórias que vão muito além das passarelas. O que começou em 1996, com Paulo Borges tentando legitimar a moda brasileira, hoje é um reflexo do país: da sua estética, da sua diversidade e da sua visão de futuro.
Durante cinco dias, entre 16 e 20 de outubro de 2025, a SPFW mostrou que a passarela brasileira evoluiu. Não se trata mais só de roupas, tendências ou status. É sobre imagem, gesto e narrativa. Designers ocuparam espaços urbanos, estádios, ruas, trens e transformaram São Paulo em palco. O desfile da Piete no Pacaembu, por exemplo, reuniu 4 mil pessoas e deixou claro: moda e cidade caminham juntas. O concreto, o ruído e o caos viraram parte do espetáculo.
Teve também desfile em movimento, literalmente. Glória Coelho levou sua coleção para dentro de trens em operação, fazendo do cenário urbano um personagem ativo. A passarela não termina mais na borda da plataforma, ela se espalha pelas ruas, escadas e galerias. A moda se aproxima do público e do espaço real, tornando-se uma performance contínua.
Modelo durante desfile de Gloria Coelho no São Paulo Fashion Week (Foto: reprodução/Gustavo Scatena/@agfotosite)
O digital e o híbrido já são tecidos invisíveis da nova moda brasileira. Instagram, Tiktok e lives deixaram de ser só canais de divulgação, viraram parte da cena. Designer pensam o desfile como uma experiência multimédia, onde luzes, sons e narrativas visuais criam sensação de memória. O futuro aponta para experiências imersivas, com IA e realidade aumentada mudando a forma como consumimos moda.
Visualmente, os anos 80 e 90 marcaram presença, com volumes e silhuetas amplas, enquanto outras coleções apostaram em tons neutros e terrosos. Tudo isso contrastando com o street style vibrante que circulava pelos arredores. A estética da SPFW em 2025 é sobre a sensação de interpretação. Cada look conta uma história que envolve a cidade, corpo, movimento e universo digital. A moda virou linguagem artística, quase uma performance, que conversa com a fotografia.
Em uma passarela vibrante e iluminada em tons avermelhados, modelos desfilam peças sofisticadas que representam as tendências da temporada (Reprodução/Mauricio Santana/Getty Images Embed)